À medida que o clima aquece e o manto de gelos que cobre a Terra derrete, o nível de águas nos oceanos sobe. Todavia, a inundação das zonas litorâneas não passa, antes, de uma fantasia. É esta a opinião dos cientistas da Universidade de Columbia que publicaram recentemente um artigo a este respeito na revista Nature. Os peritos russos comentam o seu ponto de vista.
Os climatologistas falam frequentemente dos futuros efeitos nocivos da subida das águas dos oceanos devido ao derretimento dos gelos. Os pesquisadores da Universidade de Colômbia tranquilizam-nos: no próximo século seguinte não haverá nenhum “dilúvio mundial”. Os dez últimos anos a “camada de gelo” da Terra, isto é, o Ártico, a Antártida, a Groenlândia e as geleiras montanhosas, começou a derreter mais rapidamente mas, mesmo assim, a sua redução não é suficientemente rápida para que o nível dos oceanos suba vários metros.
No entanto, está em questão o nível que o oceano vai atingir em 2100. As diferenças entre diversas estimativas são bastante grandes: desde dez centímetros até um metro e meio. Os cientistas russos reputam que é pouco provável que durante cem anos o nível do oceano mundial suba mais de que algumas dezenas de centímetros. Atualmente, o seu nível sobe uns 2,5 – 3 mm por ano,- afirma o vice-diretor do Instituto do Ártico e da Antártida, Aleksandr Danilov. A causa do crescimento do nível não é apenas o derretimento de gelos mas também o aquecimento das águas do oceano por causa do aquecimento global do clima, – explica Aleksandr Danilov.
"Uma vez que qualquer corpo dilata no processo de aquecimento, o nível de água sobe um pouco devido a esta dilatação térmica. Este processo se tem desenvolvido durante todo o século XX".
Os oceanólogos prognosticam que, se o nível das águas nos oceanos subir, por exemplo, um metro, vai surgir a ameaça de inundação de São Petersburgo, da península de Yamal no Ártico, da parte norte da Alemanha, da Holanda, dos deltas do Nilo e do Ganges. Aleksandr Danilov reputa que quase todas as baixadas em diversos pontos do globo estarão na zona de risco.
"Podemos recear por causa de Veneza, as ilhas muito baixas do oceano Pacífico, por exemplo, as ilhas Marhall e ilhas de Cook, assim como as ilhas Maldivas no oceano Índico. Também serão inundados muitos terrenos no litoral da península de Yamal".
Todavia, este roteiro é, provavelmente, o mais pessimista e é pouco provável que venha a realizar-se, – afirma o geógrafo Nikolai Ossokin, pesquisador de gelos.
"As observações do manto de gelo na Antártida comprovam que o processo de derretimento não se intensifica bruscamente. Por isso, não há donde possa vir o grande volume de água, capaz de elevar sensivelmente o nível do Oceano Mundial".
Não vale a pena esquecer que as próprias leis da natureza contribuem para equilibrar a situação. Nikolai Ossokin faz lembrar que, devido à elevação da temperatura do ar, o clima se torna mais quente, o que contribui para aumentar a evaporação da água da superfície dos oceanos. Logo, a subida do seu nível se torna mais lento.
Os cientistas concluem que não vale a pena ficarmos em pânico por causa da elevação do nível das águas nos oceanos. Convém, antes, prestar atenção a um outro perigo – a intensificação das tempestades no oceano e o aumento do número de tsunamis e de tufões. Há um ano, o tsunami e o subsequente terremoto ceifaram dezenas de milhares de vidas humanas no Japão. O tsunami de 2004 no oceano Índico foi ainda mais terrível – morreram 270 mil pessoas. Quanto aos tufões, um dos mais destruidores foi o tufão Katrina que arrasou em 2005 a cidade de Nova Orleães.
Os cientistas advertem que, futuramente, haverá numerosos casos de semelhante “interação” da atmosfera e do oceano. Portanto, a humanidade terá que se adaptar às alterações da natureza e se defender melhor contra os “ataques” do oceano, construindo, por exemplo, diques mais seguros.
Fonte:
Voz da Rússia
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