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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

DNA DE MENINA DA CAVERNA REVELA SEQUÊNCIA GENÉTICA IMPRESSIONANTE



DNA de menina da caverna revela sequência genética impressionanteA análise do DNA de uma menina da caverna, que viveu há 80 mil anos, forneceu detalhes impressionantes, e a sequência do seu genoma foi tão precisa quanto a de humanos modernos. Foi possível, por exemplo, determinar que ela tinha olhos castanhos, cabelo e pele.

O sequenciamento genético foi realizado a partir de um pequeno osso do dedo e de um dente do siso encontrados em uma caverna na Sibéria, em 2010. A análise do DNA foi realizada pela equipe liderada por Svante Paabo, no Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária em Leipzig, Alemanha. O estudo está publicado na revista Science.

A garota pertencia ao grupo Denisovan, um “primo” dos neandertais. Ambos os grupos foram extintos há aproximadamente 30 mil anos, mas eles têm participação na herança genética deixada aos humanos modernos. O DNA mostrou que a menina não era nem um Neandertal, tampouco um humano moderno, mas o primeiro de um novo grupo de seres humanos mais antigos. As origens dos denisovans são incertas, mas alguns pesquisadores acreditam em uma possível ligação entre eles e fósseis humanos da China, que antes eram difíceis de classificar.

Os cientistas compararam o genoma da menina com o de neandertais e 11 tipos de seres humanos modernos ao redor do mundo. Com isso, foi possível catalogar as alterações dos genes que diferem os seres humanos modernos dos dois grupos de humanos extintos, que eram seus parentes mais próximos.

Uma análise mais detalhada ainda confirmou que eles foram criados juntamente com os ancestrais de algumas pessoas que estão vivas nos dias de hoje, de acordo com os pesquisadores. Isso mostra que em torno de 3% dos genomas de pessoas que vivem na Papua Nova Guiné vêm dos denisovans, com um traço de seu DNA no povo Han e Dai da China continental. A variação genética dos denisovans foi muito baixa, sugerindo que apesar de terem sido encontrados em grande parte da Ásia ele nunca formaram uma população muito numerosa.

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Revista Science

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pinturas rupestres podem ser obra de neandertais, não de humanos modernos


Em uma caverna no noroeste da Espanha, chamada El Castillo, antigos artistas decoraram parte de uma parede de calcário com representações de mãos humanas. Elas parecem ter sido feitas pressionando a mão contra a parede e em seguida jogando pigmentos vermelhos sobre ela, criando uma espécie de estêncil. Estênceis de mãos são motivos comuns nas pinturas rupestres da Espanha e da França e, como toda arte desse tipo, há muito se acredita serem feitos por humanos anatomicamente modernos como nós. Mas uma nova análise da idade das pinturas em El Castillo e outras cavernas espanholas mostra que algumas dessas pinturas são muito mais velhas do que pensávamos anteriormente – em alguns casos, velhas o suficiente para serem obra de nossos antepassados neandertais.




Determinar a idade de pinturas rupestres – das mãos doPanel de las Manos em El Castillo aos mamutes e outras feras da Era do Gelo que adornam as paredes de Chauvet, na França – é difícil. Cientistas podem avaliar confiavelmente a antiguidade de ossos humanos e animais, bem como a do carvão de fogueiras usando técnicas comprovadas como a datação por radiocarbono. Mas as finas camadas de pigmentos encontradas nas paredes das cavernas geralmente não contêm o carbono necessário para essa abordagem, deixando aos arqueólogos a tarefa de estimar a idade da arte com base em seu estilo ou aparente associação com restos datáveis.

Agora os pesquisadores que escreveram para a edição de 15 de junho da Science relatam que avanços recentes em outra técnica radiométrica, chamada urânio-tório, permitiu que eles contornassem os problemas da datação por radiocarbono e determinassem a idade mínima das pinturas. Esse método de datação, baseado no decaimento radioativo do urânio, existe há décadas. Apenas recentemente, porém, cientistas refinaram a técnica de modo que pudessem aplicá-la a amostras pequenas o bastante para conseguirem resultados suficientemente precisos.

Os arqueólogos Alistair Pike da Bristol University, na Inglaterra, João Zilhão da University of Barcelona, na Espanha, e seus colegas usaram a técnica urânio-tório para datar 50 pinturas e gravuras de 11 cavernas nas Astúrias e na Cantábria. Isso foi feito coletando-se amostras de pequenas cascas de carbonato de cálcio que se formaram sobre as imagens pelo mesmo processo que forma estalactites e estalagmites. As cascas têm pequenas quantidades de urânio que decai em tório com o passar do tempo. Analisando a quantidade de tório na amostra por meio de um espectrômetro de massa os pesquisadores conseguiram determinar quanto tempo havia se passado desde que as cascas se formaram, fornecendo assim uma idade mínima para as imagens.

Curiosamente, algumas das pinturas eram significativamente mais velhas do que se suspeitava. Especialistas acreditavam que a arte rupestre espanhola era mais jovem que a francesa. Mas os novos resultados revelam que uma das imagens em El Castillo – um grande disco vermelho no Panel de las Manos – tem pelo menos 40.800 anos de idade, tornando-a pelo menos 4 mil anos mais velha que as pinturas de Chauvet, que antes se acreditava serem as mais velhas do mundo. (Alegações de arte rupestre com essa idade na Austrália e na Índia não são muito aceitas com base nas evidências atuais). Outras pinturas espanholas surpreendentemente velhas identificadas no estudo incluem o estêncil de uma mão do Panel de las Manos que tem pelo menos 37.300 anos e um símbolo em forma de bastão da famosa caverna de Altamira com no mínimo 35.600 anos.

Fonte: Scientific American

Descoberta escadaria maia com mensagem sobre 2012


Hieróglifos fazem menção ao “último dia”, 21 de dezembro de 2012. Segundo arqueólogos, mensagem tem caráter político, não profético

Hieróglifos maias
Descoberta: Detalhe de um dos hieróglifos encontrados no sítio arqueológico La Corona, com referências a 2012 (Tulane University/Divulgação)
Uma escadaria com mensagens hieroglíficas de mais de 1.300 anos da civilização maia, com menção ao “último dia”, 21 de dezembro de 2012, foi encontrada no sítio arqueológico de La Corona, na Guatemala.
O texto, escrito em 56 hieróglifos nos degraus de uma escadaria, é considerado a descoberta mais importante das últimas décadas de pesquisas sobre a civilização pré-colombiana. Em maio, arqueólogos já haviam anunciado a descoberta do mais antigo calendário maia, encontrado no mesmo local.
"A mensagem tem caráter mais político do que profético", afirma Marcello Canuto, diretor do Instituto de Pesquisas da América Central da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, e codiretor do Projeto Arqueológico La Corona. De acordo com ele, os maias usaram o calendário para promover a continuidade e a estabilidade dos reinados, mais do que prever o apocalipse. Descrevendo ciclos de poder, estabeleceram que ele fosse se encerrar em 21 de dezembro de 2012.
Ciclo de poder — David Stuart, da Universidade do Texas, que esteve na primeira expedição a La Corona em 1997, identificou a referência a 2012 em um bloco de uma escadaria descoberto recentemente. 
A mensagem comemorava a visita a La Corona do rei maia mais poderoso da época, em 696 antes de Cristo. Yuknoom Yich'aak K'ahk', de Calakmul, esteve na cidade alguns meses depois de ser derrotado em uma batalha pelo seu maior rival, Tikail, no ano 695. Ele visitava aliados para recuperar o apoio e evitar sua queda. Segundo Stuart, a mensagem sobre 2012 tentava retomar a ordem estabelecendo um grande ciclo de poder.
Tulane University/Divulgação
Hieroglifos maias
Pesquisadores trabalham no sítio arqueológico de La Corona
Saqueadores — Desde 2008, Canuto e Tomás Barrientos, da Universidade da Guatemala, comandam as escavações no sítio La Corona, que já foi alvo de saqueadores no passado.
Segundo Barrientos, foram justamente as pedras saqueadas da escadaria que ajudaram pesquisadores a encontrar os hieróglifos. Algumas dessas peças foram abandonadas pelos saqueadores porque estavam muito danificadas. Ao serem encontradas no ano passado, despertaram a atenção dos pesquisadores. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Equipe acha mais antigo calendário maia e derruba 'fim do mundo'


Imagem divulgada pela  National Geographic  mostra a arqueóloga Angelyn Bass limpando a superfície de uma parede maia no noroeste da Guatemala. Foto: APImagem divulgada pela National Geographic mostra a arqueóloga Angelyn Bass limpando a superfície de uma parede maia no noroeste da Guatemala
Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira a descoberta do calendário Maia mais antigo documentado até o momento, que data do século IX, pintado nas paredes de um habitáculo encontrado na cidade de Xultún (Guatemala).
O calendário documenta ciclos lunares e o que poderiam ser planetários, explicaram em entrevista coletiva os arqueólogos William Saturno, da Universidade de Boston, e David Stuart, da Universidade do Texas-Austin. A descoberta, que será publicada nesta semana pela revista Science, desmonta a teoria dos que preveem o fim do mundo em 2012 baseando-se nos 13 ciclos do calendário Maia, conhecidos como "baktun", já que o sistema possui, na verdade, 17 "baktun".
"Isto significa que há mais períodos que os 13 (conhecidos até agora)", ressaltou Stuart, para quem o conceito foi "manipulado". Ele disse que o calendário Maia continuará com seus ciclos por mais milhões de anos. Os hieróglifos pintados no que poderia ser um templo da megacidade de Xultún, na região guatemalteca de Petén, é vários séculos mais antigo que os Códices Maias escritos em livros de papel de crosta de árvore do período Pós-clássico tardio.
Os especialistas destacam que há glifos e símbolos que, segundo Stuart, só aparecem em um lugar: o Códice de Dresden, que os maias escreveram muitos séculos mais tarde" e que se acredita ser do ano 1.250. "Nunca tínhamos visto nada igual", assinalou Stuart, professor de Arte e Escritura Mesoamericana, encarregado de decifrar os glifos. Ele destacou que se trata das primeiras pinturas maias encontradas nas paredes de um habitáculo.
O quarto, segundo os especialistas, faz parte de um complexo residencial maior. Os pesquisadores lamentam que parte do quarto tenha sido danificada por saqueadores, mas foi possível conservar várias figuras humanas pintadas e hieróglifos negros e vermelhos. Em uma delas aparece a figura do rei com penas azuis e glifos perto de seu rosto que, segundo decifraram, significam "Irmão Menor".
A parede contém uma série de cálculos que correspondem ao ciclo lunar, enquanto os hieróglifos da parede norte acreditam que poderiam se relacionar com os ciclos de Marte, Mercúrio e, possivelmente, Vênus. Os autores indicam que o objetivo de elaborar esses calendários, segundo os estudos realizados a partir dos códices maias encontrados previamente, era o de buscar a harmonia entre as mudanças celestes e os rituais sagrados, e acreditam que essas pinturas poderiam ter tido o mesmo fim.
"Pela primeira vez vemos o que podem ser registros autênticos de um escrivão, cujo trabalho consistia em ser o encarregado oficial de documentar uma comunidade maia", assinalou Saturno. Em sua opinião, parece que as paredes teriam sido utilizadas como se fossem um quadro-negro para resolver problemas matemáticos.
De acordo com os cientistas, poderia se tratar de um lugar onde se reuniam astrônomos, sacerdotes encarregados do calendário e algum tipo de autoridade, pela riqueza na decoração das pinturas nas paredes, que também utilizaram para fazer suas anotações.

A pesquisa continua aberta para determinar que tipo de quarto se trata, se era uma casa ou um habitáculo de trabalho e se era utilizado por uma ou várias pessoas. "Ainda nos resta explorar 99,9% de Xultún", lembrou Saturno, que afirmou que a grande cidade maia descoberta em 1915 proporcionará novas descobertas nas décadas vindouras. 

Pesquisadores descobriram aquele quer seria o mais antigo calendário maia, com 1,2 mil anos. Detalhe do calendário mostra datas em escritos sobre a Lua (em 1.195.740 dias), Sol (361.640 dias), e possivelmente Vênus (2.448.420 dias) e Marte (1.765.140 dias). As datas vão a quase 7 mil anos no futuro  Foto: AP

Segundo os cientistas, o calendário tem 17 baktun, o que derrubaria a teoria do fim do mundo em 2012  Foto: AP

A hipótese de que os maias previram o fim do mundo para este ano se baseia em uma ideia de que o calendário maia só teria 13 ciclos - e eles acabariam justamente em 2012. <a href=http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5766082-EI8147,00-Equipe+acha+mais+antigo+calendario+maia+e+derruba+fim+do+mundo.html>Leia mais</a>  Foto: AP

Fonte: Terra Notícias

Colaboração: Mirabel Krauser

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Degelo há 400 mil anos gerou efeito gangorra e afundou ilhas


Um problema que vinha bagunçando as estimativas de aumento do nível do mar decorrente do aquecimento global acaba de ser resolvido.

O que atrapalhava os cientistas é que um pedaço da crosta terrestre atua como gangorra: quando o gelo do Canadá derrete muito, tira peso de uma borda da placa tectônica norte-americana e faz a outra borda descer, afundando no mar ilhas como as Bahamas e as Bermudas.
Foi isso o que aconteceu 400 mil anos atrás e fez o mar avançar mais de 20 metros de altura nesses arquipélagos.

Na época, o planeta estava em uma era glacial e passou por um intervalo de aquecimento de 10 mil anos. Geólogos descobriram que o mar tinha avançado sobre as Bahamas e as Bermudas nesse período. Fósseis de animais marinhos com essa idade foram encontrados em regiões altas.
Uma elevação de 20 metros no nível dos oceanos, porém, era uma catástrofe que não estava de acordo com os cálculos dos cientistas. Para que isso acontecesse, seria preciso um derretimento completo das plataformas de gelo da Groenlândia e da Antártida.
Mas um estudo em edição recente da "Nature" mostra que o problema foi mesmo causado pelo "efeito gangorra", que fez as ilhas afundarem mais que o previsto.
A geóloga Maureen Rayno, da Universidade Columbia (EUA), autora da pesquisa, concluiu que a inclinação tectônica afundou as Bahamas em 10 metros. Como o derretimento da Antártida Ocidental e da Groenlândia já tinham adicionado 10 metros ao nível do mar, a impressão é que a água subiu 20 metros.
Segundo Raymo, as Bahamas e as Bermudas deverão enfrentar de novo o problema com o aquecimento global. "O efeito será menor se considerarmos só o que vai acontecer neste século, pois o período de aquecimento do estudo é de 10 mil anos."
O último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) estima que o nível do mar deve subir 60 cm até o fim deste século. Raymo diz que a tendência é que o painel revise essa previsão até para pior.
Num cenário de 1 metro de elevação da água, 145 milhões de pessoas podem ter de se deslocar, estima um relatório da ONU.

Fonte: Folha on line

No Peru, cientista encontra montes de 4 mil anos com formas de animais


Um cientista da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, encontrou no Peru montes de terra gigantes com mais de 4 mil anos e formas de animais. Com até 400 metros de extensão, os desenhos na terra só podem ser vistos do alto. Entre as formas, estão um condor, uma orca e um monstro com características de puma.

"Alguns deles têm mais de 4 mil anos de idade. Os montes peruanos mais antigos estavam em construção no mesmo período histórico em que as pirâmides eram erguidas no Egito", afirmou o antropólogo Robert Benfer, em material de divulgação.

De acordo com o pesquisador, os montes podem ter sido construídos por povos peruanos antigos para representar o modo que viam as constelações.

Ele encontrou orientações astronômicas em todos desenhos. No monte em forma de condor, por exemplo, o olho do pássado está alinhado com a Via Láctea quando visto de um templo na região. Já o monte de monstro puma fica alinhado com o solstício de junho na visão a partir do mesmo templo.

Por isso, os montes poderiam funcionar como um calendário celeste, que ajudaria agricultores e pescadores a prever resultados da colheita e da pesca. "Saber que 21 de dezembro já tinha passado era muito importante. Se não houvesse sinal do El Niño até esta data, então os produtores saberiam que teriam outro bom ano", afirmou o antropólogo.

 Monte em forma de orca tem cerca de 5 mil anos. Estes animais caçavam na costa peruana até pouco tempo atrás. (Foto: Divulgação / Google Earth Pro)

 Um monstro em forma de puma é um dos desenhos com cerca de 4 mil anos. (Foto: Divulgação / Google Earth Pro)

 Do chão, é difícil ver as figuras. (Foto: Divulgação / Google Earth Pro)

Arqueologia: Escultura de um touro com cerca de três mil anos para ver em Beja


Uma rara escultura em cerâmica representando um touro, com cerca de três mil anos e que foi recuperada numa das intervenções arqueológicas promovidas pela empresa do Alqueva, é apresentada a partir de hoje, em Beja.
"Uma rara escultura em cerâmica representando um touro, com cerca de três mil anos, uma peça, com 23 centímetros de altura, 17 de largura e 45 de comprimento, foi recuperada numa das intervenções arqueológicas promovidas pela empresa do Alqueva e é apresentada a partir de quarta-feira, em Beja", adiantou à Voz da Planície o arqueólogo Miguel Martinho.
"A escultura foi recuperada no sítio arqueológico Cinco Reis 8, intervencionado no âmbito da empreitada de construção de uma infraestrutura da rede primária do subsistema de rega de Alqueva, o troço de ligação Pisão-Beja e podem existir muitas explicações para a sua localização junto ao túmulo de um homem, encontrado no cemitério descoberto durante estas obras, uma delas tem a ver com o facto de poder representar um simbolo religioso da época", avançou, igualmente, o arqueólogo Miguel Martinho.
A escultura, devido à "sua raridade, particular relevância científica e valor iconográfico", vai estar patente ao público até ao próximo dia 29 de Junho na galeria de exposições da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), em Beja.
Ana Elias de Freitas

terça-feira, 27 de março de 2012

Restos do 'Homem de Pequim' estariam sob estacionamento na China




Depois de 70 anos de mistério e buscas sem resultados, um novo estudo histórico conduzido por especialistas da África do Sul e da China assegura que os restos perdidos do chamado "homem de Pequim", um dos mais antigos ancestrais já descobertos pelo homem, estão enterrados em uma área onde atualmente existe um estacionamento.



Essas são as conclusões do professor sul-africano Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, que recebeu a ajuda de dois pesquisadores do Instituto de Paleontologia de Pequim para tentar acabar com um os grandes enigmas arqueológicos do século XX e encontrar fósseis considerados fundamentais para compreender a origem do ser humano.
Os fósseis teriam se perdido durante a Segunda Guerra Mundial, em 1941, quando o Exército dos Estados Unidos tentava removê-los da China, para protegê-los dos japoneses. Os rastros, porém, se perderam no porto de Qinhuangdao, durante os combates.
Mais de sete décadas depois, os pesquisadores afirmam que o restos do Homo Erectus Pekinensis poderiam estar sob uma zona agora densamente urbanizada de Qinhuangdao, onde a grande muralha encontra o mar e onde, na época da Segunda Guerra, havia uma base militar americana.
O estudo, publicado neste mês no South African Journal of Science e repercutido nesta segunda-feira, 26, no jornal China Daily, se baseia nas teorias de um soldado americano, Richard Bowen, que diz ter visto os fósseis em 1947. O militar, agora com mais de 80 anos, estava na base quando esta foi capturada e diz se lembrar de "caixas com fósseis" enterradas, o que os especialistas acreditam ser os restos do Homem de Pequim.
"Cavamos vários buracos para colocar as metralhadoras, e em um deles encontramos caixas cheias de ossos. Era de noite e tivemos um pouco de medo, e então colocamos tudo no buraco e começamos a cavar outro. Depois, fomos evacuados da base", disse Bowen aos pesquisadores.
Graças a essas informações, o estudo afirma que o lugar mais provável de onde se encontram essas caixas é um estacionamento da área de armazéns da Companhia de Exportação e Importação de Alimentos de Hebei. Apesar de desaparecidos, os fósseis têm sido estudados por meio das cópias feitas durante a década de 30.
Os restos do Homem de Pequim pertencem a ao menos seis antepassados e foram encontrados entre 1929 e 1937 por antropólogos suecos, canadenses e austríacos em Zhoukoudian, ao sul de Pequim. Os fósseis têm entre 300 mil e 500 mil anos de idade, de acordo com especialistas, e poderia dar informações importantes sobre a expansão do homem na Ásia.

Fonte: estadão

sexta-feira, 23 de março de 2012

Análise de DNA mostra migração de homínideo desconhecido


Fragmento encontrado em caverna siberiana tem DNA diferente dos humanos, e contribuiu com o material genético dos melanésios

Partindo do DNA extraído do osso de um dedo encontrado na caverna de Denisova, no sul da Sibéria, e seu código genético, cientistas descobriram um novo grupo de homínideos que tanto vagou pelo mundo que deixou partes de seu DNA em populações da Oceania. 

Os resultados das análises genéticas e morfológicas do estudo que envolveu 28 cientistas trabalhando em 14 instituições de pesquisa espalhadas pelo mundo foram publicados hoje na revista especializada Nature e mostram que o hominídeo de Denisova tem um genoma diferente do humano moderno e do neandertal, e contribuiu com 4 a 6% do material genético dos genomas dos melanésios, população que vive atualmente na Oceania. Mais uma peça importante no complexo quebra-cabeça de reconstrução da história evolutiva da espécie humana.
Bence Viola, que trabalhou no estudo assinado pelos medalhões da arqueologia genômica Svante Paabo e David Reich, coordenou as interpretações arqueológicas e de datação e foi responsável pelo estudo morfológico. Ele disse ao iG que o resultado que mais o impressionou foi a conexão do hominídeo arcaico com os melanésios. “Eu teria ficado menos surpreso se tivéssemos encontrado traços genéticos dos hominídeos de Denisova em populações chinesas ou da Ásia Central, mas tendo miscigenado apenas com pessoas que hoje vivem na outra ponta do mundo, a dez mil quilômetros de distância foi uma enorme surpresa”, diz Viola.

O dente que também foi encontrado na caverna tem um genoma mitocondrial semelhante ao do osso do dedo e uma morfologia muito diferente dos dentes de neandertais e homens modernos. “O dente tem uma morfologia muito interessante, arcaica”, destaca Viola.
Agora com o hominídeo de Denisova, há evidências da presença simultânea de cinco diferentes grupos de hominídeos no mundo: humanos modernos (ancestrais diretos do Homo sapiens) na África; neandertais na Europa e parte do Oriente Médio; hominídeos de Denisova na Sibéria; o Homo eretus na ilha de Java e a forma anã do Homo floresiensis em Flores, na Indonésia.
Como a extração de DNA destrói parte das amostras ósseas, é necessário cuidado extra para garantir que seus resultados não são mascarados por contaminações ou outros artefatos da metodologia usada. “Olhe o material suplementar do nosso artigo e você verá que quase metade dele descreve os cuidados que tomamos para evitar tais problemas”, diz Viola.
Os pesquisadores pretendem agora descobrir mais sobre os hominídeos de Denisova. “Estamos trabalhando também em comparações genéticas mais detalhadas, aumentando o tamanho da amostra dos humanos modernos”, completa Viola.
Fonte: IG

Genoma mostra que aborígenes foram os primeiros a sair da África


Sequenciamento de genoma de tufo de cabelo de 100 anos de idade contradiz teoria de migração do ser humano moderno


Um novo estudo publicado esta semana fornece provas de que os aborígenes australianos são descendentes dos primeiros Homo sapiens a deixar a África, cerca de 24 mil anos antes de seus semelhantes europeus e asiáticos.
A descoberta contraria a teoria até agora aceita de que todos os humanos modernos derivaram de uma única onda migratória, que saiu da África em direção a Europa, Ásia e Austrália.
"A história genética dos aborígenes australianos é importante para entendermos a evolução do ser humano moderno. Mas existem duas hipóteses, a de uma única onda migratória e a de múltiplas ondas migratórias. Os resultados deste estudo apoiam a segunda hipótese e mudam o nosso entendimento sobre as migrações humanas na Austrália", disse Wang Jun, um dos coautores do estudo, ao iG.
Publicada na revista Science nesta quinta-feira (22), a pesquisa foi possível graças a uma amostra de cabelo doado por um aborígene de Goldfields (Austrália), no início do século 20 e que estava em um museu na Universidade de Cambridge desde 1923.

“Esse estudo muda o nosso entendimento sobre as migrações humanas em direção à Ásia e mostra que os aborígenes australianos eram parte de uma das primeiras migrações para o leste, algo por volta de 62 mil a 75 mil anos atrás”, disse o coautor do estudo Morten Rasmussen, da Universidade de Copenhagen, em entrevista ao iG.
Graças ao sequenciamento do genoma, os pesquisadores demonstraram que os aborígenes australianos são descendentes diretos da expansão dos primeiros humanos em direção à Ásia, ocorrida há cerca de 70 mil anos.

Segundo o autor principal da pesquisa, Eske Willersley, da Universidade de Copenhagen, enquanto os ancestrais de europeus e asiáticos estavam parados na África ou no Oriente Médio, os ancestrais dos aborígenes australianos se espalhavam rapidamente.

“Os dados genéticos não nos permitem dizer nada sobre geografia, sobre como eles chegaram à Austrália, mas dados arqueológicos sugerem que os aborígenes australianos se moveram ao longo da costa da Ásia. Não se sabe exatamente como eles cruzaram o oceano, mas certamente utilizaram barcos, balsas ou algo do tipo”, afirmou Rasmussen.

Outro estudo reforça a ideia de múltiplas ondas migratórias 

Outra pesquisa também publicada nesta quinta-feira e que analisou o DNA de populações na Ásia, na Austrália e em algumas ilhas do Sudeste Asiático reforça a ideia de que o ser humano moderno se estabeleceu na Ásia em mais de uma migração.
Publicada no American Journal of Human Genetics, a pesquisa encontrou traços genéticas do chamado homem de Denisova nas populações aborígenes da Austrália e nas Filipinas, sugerindo que eles saíram da Sibéria em direção ao sudeste da Ásia, cruzando com os antepassados de populações de hoje há cerca de 44 mil anos.
Segundo os pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, os resultados podem ser explicados por pelo menos duas ondas migratórias: aquela que deu origem às populações aborígenes que atualmente vivem no Sudeste Asiático e na Oceania e outra que deu origem aos seus parentes do Leste Asiático que hoje formam a principal população do Sudeste do continente.
O DNA do Denisova foi decifrado no ano passado, depois que um dedo desse hominídeo foi encontrado em uma caverna no Sul da Sibéria.
Fonte: IG

'Evas' indonésias colonizaram Madagascar há 1,2 mil anos


Algumas dúzias de mulheres indonésias iniciaram a colonização da ilha de Madagascar 1,2 mil anos atrás, afirmaram cientistas em um estudo que será publicado na edição de quarta-feira do periódico britânico Proceedings of the Royal Society B. Os antropólogos são fascinados com Madagascar porque a ilha se manteve afastada da conquista humana do planeta por milhares de anos até ser colonizada por africanos continentais, mas também por indonésios, cuja terra natal fica a 8 mil km de distância, em um dos mais curiosos episódios da odisseia humana.
Uma equipe chefiada pelo biólogo molecular Murray Cox, da Universidade Massey da Nova Zelândia, vasculhou amostras de DNA em busca de pistas que explicassem o enigma migratório. Eles procuraram marcadores escondidos em cromossomos transmitidos pela mãe em amostras de DNA fornecidas por 266 pessoas de três grupos étnicos Malagasy.
Vinte e dois por cento das amostras tinham uma variedade local do "padrão polinésio", uma minúscula característica genética que é comum entre polinésios, mas rara entre indivíduos da Indonésia ocidental. Em um grupo étnico Malagasy, uma em cada duas amostras tinha este marcador.
Se as amostras estiverem certas, cerca de 30 mulheres indonésias deram início à população de Madagascar "com uma contribuição biológica muito menor, mas tão importante quanto aquela da África", destacou.
O estudo se concentrou apenas no DNA mitocondrial, que é transmitido exclusivamente pela mãe, e não exclui a possibilidade de que homens indonésios também tenham chegado com as primeiras mulheres. Simulações de computador sugerem que a colonização começou por volta de 830 D.C., na época em que as redes comerciais indonésias se expandiram durante o Império Srivijaya de Sumatra.
O estudo aponta para outras contribuições do sudeste da Ásia. Em termos linguísticos, os habitantes de Madagascar falam dialetos de uma língua cujas origens remontam à Indonésia. A maior parte do léxico é procedente do Ma'anyan, língua falada ao longo do vale do rio Barito, no sudeste de Bornéu - uma região remota, do interior da ilha - com alguns vestígios de palavras do javanês, do malaio ou do sânscrito.
Outras evidências da colonização vieram da descoberta de canoas indonésias, ferramentas de ferro, instrumentos musicais como o xilofone e um "kit de comidas tropicais", o cultivo de arroz, bananas, inhame e taro (raiz rica em amido), trazidos do outro lado do oceano.
"Madagascar foi colonizada aproximadamente 1,2 mil anos atrás, inicialmente por um pequeno grupo de mulheres indonésias e suas contribuições - de idioma, cultura e genes - continuam a dominar a nação de Madagascar até hoje", destacou o artigo.
Mas como as 30 mulheres cruzaram o Oceano Índico até Madagascar permanece uma grande questão. Uma teoria é que elas tenham chegado em embarcações comerciais, embora não haja evidências de que as mulheres embarcaram em navios mercantis de longa distância na Indonésia. Outra ideia é que Madagascar teria sido ocupada como colônia comercial formal, ou talvez como centro para refugiados que perderam terra e poder durante a expansão do Império Srivijayan.
Há ainda uma terceira hipótese, ainda mais intrépida, de que as mulheres estariam em um barco que fez uma jornada transoceânica acidental. Esta noção é sustentada por simulações de navegação com base em correntes marinhas e padrões climáticos das monções, segundo a equipe de Cox.
De fato, durante a Segunda Guerra Mundial, destroços de barcos bombardeados perto de Sumatra e Java acabaram chegando a Magascar e em um caso, um sobrevivente em um bote salva-vidas, foi levado pelas correntes até lá.
Fonte: Terra

quarta-feira, 21 de março de 2012

Deus bíblico pode ter tido uma esposa, afirmam pesquisadores


Inscrições indicariam que Javé teria tido como companheira a deusa da fertilidade Asherah.
Tese é polêmica; outros especialistas dizem que Deus só 'absorveu' atributos da deusa.
Foto: as
Imagem de mulher grávida escavada em antigo assentamento israelita: seria uma representação da Asherah, a antiga esposa do Deus bíblico? (Foto: Reprodução)
Será que uma deusa pagã, atacada na Bíblia como uma das maiores inimigas do culto ao Deus verdadeiro, poderia ser, na verdade, a esposa Dele? De forma bastante simplificada, esse é um dos principais debates que dividem os historiadores da religião do antigo Israel nos últimos tempos. Inscrições misteriosas, pequenas estatuetas de cerâmica e o próprio texto da Bíblia indicariam que a deusa em questão, conhecida como Asherah, não teria sido adorada como rival de Javé, o Deus judaico-cristão, mas sim como sua companheira.

Isso, é claro, para um dos lados do debate. Para outros pesquisadores, os símbolos da deusa Asherah (cujo nome às vezes é aportuguesado como "Asserá") teriam sido simplesmente "incorporados" pelo culto de Javé, sem que a deusa fosse adorada como entidade distinta pelos antigos israelitas. A ambigüidade é, em parte, lingüística: embora Asherah fosse o nome de uma deusa dos cananeus (habitantes pagãos da Palestina), a palavra também é um substantivo comum, "asherah", que designa um poste de madeira usado para cerimônias religiosas.

"As posições estão bem marcadas: uns acreditam que se trata de um símbolo cúltico, outros já assumem que se trata de uma deusa. No entanto, uma coisa não necessariamente exclui a outra, porque o poste também simbolizava a deusa, de forma que uma referência a ele sugere o culto a Asherah", diz Osvaldo Luiz Ribeiro, doutorando em teologia bíblica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

 Menções numerosas
"Na Bíblia hebraica existem mais de 40 referências a Asherah e ao seu símbolo, inclusive demonstrando a sua presença dentro do Templo de Jerusalém, o Templo de Javé", conta Ana Luisa Alves Cordeiro, mestranda em ciências da religião na Universidade Católica de Goiás. Nessas referências, a deusa é sempre retratada como uma influência religiosa negativa dos povos vizinhos sobre os israelitas, competindo com o culto do verdadeiro Deus. Cordeiro está estudando o impacto da reforma religiosa liderada por Josias, rei de Judá (o reino israelita do sul), por volta do ano 620 a.C., na qual o símbolo da deusa teria sido arrancado do Templo e queimado.

No entanto, o culto a Asherah parece ter sido mais importante fora de Jerusalém, nos chamados "lugares altos", afirma a pesquisadora. Em tais locais, o poste de madeira era substituído por árvores vivas como símbolo da deusa. "Eram santuários ao ar livre, nos topos das montanhas. Isso evidencia uma profunda ligação com a natureza", diz Cordeiro. O culto a Asherah seria uma forma de reverenciar a fertilidade feminina e o papel da mulher como doadora ou mantenedora da vida. "E a árvore é o símbolo dessa abundância", avalia a pesquisadora.

Durante muito tempo, esse tipo de culto foi considerado uma influência religiosa estrangeira sobre o povo de Israel, conforme o que dizia a Bíblia. Mas o consenso atual é que os israelitas não tiveram uma origem separada dos cananeus, seus vizinhos pagãos. A maior parte dos habitantes de Judá e Israel (nome um tanto confuso do reino israelita do norte) parecem ter sido um grupo de origem majoritariamente cananéia que foi assumindo uma entidade cultural distinta aos poucos. E, entre os cananeus, Asherah era a esposa de El, o soberano dos deuses -- mais ou menos como Zeus, na mitologia grega, tinha sua mulher divina, a deusa Hera. 

 Evidência direta?
É aqui que a arqueologia traz dados surpreendentes sobre a questão. O sítio arqueológico mais importante para o debate sobre Asherah talvez seja o de Kuntillet Ajrud, localizado no Sinai egípcio, perto da fronteira com Israel. O lugar parece ter sido uma espécie de "pit stop" de caravanas no deserto, e também ter abrigado um antigo santuário.

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Inscrição em hebraico do ano 800 a.C. no alto pede benção de "Javé de Samaria e sua Asherah". Casal abaixo do texto, com aspecto bovino, poderia retratar o deus e sua esposa, segundo alguns especialistas (Foto: Reprodução)

Inscrições e desenhos em fragmentos de cerâmica de Kuntillet Ajrud revelam frases, datadas em torno do ano 800 a.C., pedindo a benção de "Javé de Samaria [capital do reino israelita do norte] e sua Asherah" e "Javé de Teiman e sua Asherah". No caso da primeira frase, há um desenho estranhíssimo de duas figuras com corpo humano e cabeça que lembra a de bovinos, uma delas com traços mais masculinos e outra com traços mais femininos. Será que era assim que alguns dos antigos israelitas imaginavam Javé e sua esposa Asherah?

"Temos outros dados que indicam a associação de Javé com a figura do touro, representando a força, o poder, principalmente no culto de Samaria", afirma Osvaldo Ribeiro, da PUC-RJ. Outros pesquisadores, como Mark S. Smith, da Universidade de Nova York, contestam a associação de Javé com uma consorte chamada Asherah nessas inscrições. Para eles, a gramática do hebraico é esquisita: o termo "sua Asherah" parece se referir a um objeto, não a uma pessoa ou a uma deusa.

"Eu acho complicado tirar uma conclusão como essa simplesmente com base no que sabemos do hebraico bíblico, porque se trata de uma língua morta. Nunca vamos ter certeza se realmente era impossível usar o pronome em 'sua Asherah' para se referir a uma pessoa", diz Ribeiro. De qualquer maneira, afirma o pesquisador, há outro dado arqueológico importante: inúmeras estatuetas de cerâmica, encontradas em todo o território israelita e com idades que abrangem centenas de anos, que parecem indicar uma deusa da fertilidade, com barriga de grávida e seios protuberantes. "Essas imagens continuam sendo comuns até o século 6 a.C., quando Jerusalém é destruída e parte de seus habitantes são exilados na Babilônia", lembra ele.

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Outras estatuetas femininas feitas por antigos israelitas: os traços maternais, como seios fartos e ventres grávidos, são enfatizados nessas imagens (Foto: Reprodução)

 Pós-exílio
Se o culto a Asherah era tão comum quando esses indícios esparsos indicam, o que teria levado ao fim dele? A Bíblia explica o processo como uma contaminação constante da religião de Israel pelos povos pagãos, a qual nem muitas reformas religiosas purificadoras, como a do rei Josias, foram capazes de apagar antes do exílio na Babilônia.

Ribeiro, no entanto, diz acreditar que muitas dessas histórias de reforma foram projeções dos sacerdotes do Templo de Jerusalém, elaboradas na época depois do exílio. "A comunidade dos que voltam da Babilônia se organiza em torno do Templo de Jerusalém, sob a liderança dos sacerdotes e com o apoio do Império Persa [que dominou a região depois de vencer a Babilônia]. Então, toda ameaça a esse processo de centralização do poder sacerdotal foi combatida, de forma que só acabou sobrando o culto a Javé. Foi um acidente histórico, num momento crítico, que acabou se tornando a visão dominante."

Já para Ana Luisa Cordeiro, da Universidade Católica de Goiás, os eventos antigos têm implicações para a própria visão excessivamente masculina de Deus que acabou se tornando dominante entre judeus e cristãos. Não é que a sociedade na qual Asherah era adorada fosse necessariamente igualitária entre homens e mulheres, pondera ela, mas pelo menos abria espaço para enxergar o sagrado com um lado feminino.

"Reimaginar o sagrado como Deusa é reimaginar as relações de poder, não numa tentativa de apagar a presença de Deus, mas sim de dar espaço ao feminino no sagrado, o feminino não como um atributo do Deus masculino, mas como Deusa", avalia Cordeiro.

Fonte: Globo
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