A Rússia irá enviar em 2020 para o asteróide Apophis um “trator gravitacional” para testar a tecnologia de desvio das órbitas de objetos espaciais que possam ameaçar a Terra.
Depois da descoberta do Apophis,
há 8 anos, os cálculos demonstraram que ele pode colidir com a Terra em
2029 com uma probabilidade de 1:37. Depois se verificou que não haveria
catástrofe. Mas se o asteróide entrar num “funil” gravitacional com
apenas centenas metros de largura, então irá colidir na aproximação
seguinte em 2036. A probabilidade de acertar é de 4 para um milhão.
Quando o Apophis se dirigir para o “funil”, ao “trator
gravitacional” bastará desviá-lo ligeiramente para reduzir a hipótese de
colisão para zero. A ideia de um “trator” desses é conhecida, diz-nos o
membro-correspondente da Academia Russa de Cosmonáutica Yuri Karash.
“Será
um corpo que irá girar à volta do asteróide e interferir com o seu
movimento. Se o asteróide for descoberto muito antes de ele se aproximar
da Terra a uma distância perigosa, enviando-lhe o “trator” poder-se-á
gradualmente desviá-lo da trajetória perigosa.”
Para o astrofísico do Instituto Astronómico Sternberg da Universidade estatal de Moscou Vladimir Surdin as preocupações causadas pelo Apophis fazem sentido.
“Os
cálculos demonstram o lado que a Terra terá virada para o asteróide em
2036, quando ele passar junto a nós. Infelizmente, será o lado da
Rússia, ou melhor, da Eurásia. O local provável da colisão passa pelo
território russo. Sem cálculos precisos, ainda não se pode dizer se ele
passará ao lado.”
Ao contrário do envio do “trator”, o
voo do aparelho russo para o sistema de Júpiter já estava planejado há
muito. Se tratava do seu satélite Europa que tem a fervilhar debaixo da
superfície um caldo de minerais em água que, teoricamente, podia
sustentar algumas formas de vida. O perito em cosmonáutica Igor Lisov
explica a razão da escolha final de Ganímedes.
“Se
verificou que não existe equipamento eletrônico resistente à radiação
que pudesse trabalhar na superfício do Europa. Tivemos de recuar um
pouco de Júpiter para um satélite mais distante, mas igualmente
interessante, e pensar em como estudá-lo.”
De acordo com Igor Lisov, a apresentação do TSNIIMASH
é um reflexo da busca por algum objetivo global para depois de 2020,
quando a EEI fôr retirada de órbita e afundada no oceano. Talvez faça
realmente sentido começarmos a ocupar-nos dos asteróides dentro das
intenções dos americanos que querem pousar num deles até 2025, diz o
perito. Também não é obrigatório que a apresentação do Instituto e os
planos da Roskosmos sejam a mesma coisa.
Fonte: Voz da Russia